Coutinho Duarte: "A Associação tem feito um trabalho de defesa dos empresários"

O BI DA EMPRESA conversou com o empresário sobre o papel da Associação Empresarial Luso-Angolana (AELA) no incentivo ao investimento em Angola, um país que tem atraído inúmeros investidores de todo o mundo.


Coutinho Duarte está em Angola há 28 anos e é o presidente da AELA, criada em 2007 com o objetivo de esclarecer os empresários portugueses interessados em investir no país sobre aspetos de “legalização, organização, alfândegas, portos, (...) e documentação”, encaminhando-os através do seu gabinete jurídico.

“Se uma empresa vem para Angola para fazer boas parcerias e participar no desenvolvimento de Angola – e nós temos bons exemplos disso aqui – (...) é muito bem-vinda.” 

Tendo assistido a um “desenvolvimento extraordinário” do país para criar as “condições ideais de implantação” empresarial, Coutinho Duarte afirma que Angola recebe de braços abertos as empresas que querem iniciar ou reforçar “boas parcerias e participar no desenvolvimento” económico, mas que os “conflitos nos vistos empresariais e de trabalho” e as “dificuldades em conseguir um espaço e um parceiro”, por vezes, atrasam alguns processos de negócio.

“Os consulados quase que obrigam as populações (...) a enfrentar as dificuldades de obter um visto. Uma pessoa que tenha uma doença súbita, com necessidade de se deslocar por razões de saúde, pode estar à espera 60 a 70 dias: não é forma de tratar as coisas”, aponta Coutinho Duarte, sublinhando que “a vida empresarial” exige decisões imediatas e que deviam ser tomadas medidas para otimizar estes processos.

Por outro lado, o dirigente declara que os empresários internacionais privilegiam a capital para o investimento em detrimento das províncias, que corporizam inúmeras “oportunidades de negócio”. Nas províncias, “a aproximação com o poder local é mais fácil” e o “investimento é sempre de menor custo”, havendo “uma forte possibilidade de lançar a empresa de imediato”, ao contrário do que acontece em Luanda. “A associação tem feito um trabalho de descentralização” nesse sentido, explica o empresário.

“As PME’s não têm possibilidade de dispor de um milhão de dólares de um momento para o outro.”

A medida da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP) que impõe um montante mínimo de investimento privado no país também “é limitativa” porque “as PME’s não têm possibilidade de dispor de um milhão de dólares de um momento para o outro”, refere Coutinho Duarte. E alerta para a principal consequência desta política: “A estabilidade social de um país “pressupõe um trabalho contínuo em várias dimensões, sendo que a “ocupação de emprego” é uma das mais importantes. E as PME’s são “a alavanca”, pois são elas as principais empregadoras.

Num país com imensa “vontade de aprender” e trabalhar, o dirigente sublinha ainda o papel que Portugal pode ter enquanto parceiro na formação qualificada, destacando o caso do setor agrícola, em crescimento em Angola.

“Ninguém tem, hoje, melhores condições para o desenvolvimento da agricultura do que Angola.”

“Ninguém tem, hoje, melhores condições para o desenvolvimento da agricultura do que Angola” e os trabalhadores, só precisam, “às vezes, daquele toque de conhecimento teórico ou prático (...) que Portugal até tem” para a obtenção de resultados mais produtivos.

“Fechar qualquer organização (...) qualquer país, não leva a lado nenhum”.

Coutinho Duarte reflete ainda sobre a importância de colocar em funcionamento a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa: “dentro da CPLP temos uma necessidade absoluta de criar livre circulação de pessoas, de bens e de capitais. Fechar qualquer organização (...) qualquer país, não leva a lado nenhum.”

O empresário não tem dúvidas que, a nível empresarial, Angola é o “país ideal. Até pode vir a ser a Terra Prometida”, remata. 

SLIDESHOW | Showreel 2019

SLIDESHOW | Showreel 2019

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